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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Recital homenageia o criador da Sinfônica
Maestro gaúcho Vicente Fittipaldi, que regeu a OSR por quatro décadas, deixou legado no ensino e apreciação da música clássica no estadoRafael Dias
Especial para o DIARIO
Ainda hoje, sempre que se refere ao maestro Vicente Fittipaldi, a classe musical pernambucana, principalmente os que conviveram com o professor e violonista de formação, lembra com tom nostálgico e respeito solene seus trabalhos prestados à promoção do ensino e da música em Pernambuco. É compreensível tamanha reverência, afinal sua atuação reverbera até os dias atuais. Um dos fundadores da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR) e do Conservatório Pernambucano de Música, o regente gaúcho, natural de Uruguaiana, amava a cidade que o adotou, assim que aqui chegou em 1925. Embora sua contribuição tenha sido crucial, pouco se fala sobre sua trajetória. Para rememorar a vida e obra do amigo, o pianista Edson Bandeira de Mello apresenta hoje um recital em homenagem a Fittipaldi, no Teatro de Santa Isabel. A apresentação é aberta ao público.
O recital Barroco, Clássico, Romântico faz menção a uma importante efeméride na carreira de Fittipaldi. Há 70 anos, a Orquestra Sinfônica do Recife, que foi fundada em 1930 pelo maestro junto com Walter Cox e Ernani Braga sob o nome Orquestra Sinfônica da Sociedade de Concertos Populares, deixava de ser uma orquestra particular para passar à gerência da prefeitura, situação que perdura até hoje. Em 1941, foi vinculada ao governo do estado, na gestão de Agamenon Magalhães. A adoção do poder governamental representou avanço na profissionalização da música em Pernambuco. Fittipaldi, que chegava a tirar do próprio bolso para cobrir custos, pôde desenvolver projetos com a Sinfônica, da qual foi regente por quatro décadas.
Seus feitos à frente da Sinfônica estão latentes na memória dos músicos. Como produtor, o maestro tinha uma facilidade em arrolar amizades e convidar solistas ilustres para se apresentarem no Recife. Virtuoses como Rubinstein e Horowitz passaram por aqui em meados do século passado. Foi dele também a idéia de promover concursos para a revelação de novos talentos, como o Jovens solistas da Orquestra Sinfônica e o Concertos para a juventude. Nesse período, despontaram alguns pupilos, hoje consagrados, entre eles Cussy de Almeida e Nair Rottmann. "Ele abria as portas para quem estava começando, estimulando os jovens a trabalhar mais e melhor", diz Edson Bandeira, que preparou recital com diferentes períodos do erudito e obras de Bach, Mozart, Schubert e Chopin. Será distribuída a plaqueta, reeditada pela Editora Universitária, do título Doutor Honoris Causa da UFPE, concedido a Fittipaldi em 1983.
Serviço
Recital de piano com Edson Bandeira de Mello, em homenagem a Vicente Fittipaldi
Quando: Hoje, às 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Quanto: Entrada franca
Informações: 3232-2940
Postado por Carlos Eduardo Amaral às 03:15
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